No Paraná, surge uma nova categoria profissional: “Boia-fria da Educação”

Recebi este e-mail de Rosângela Machado, que se identifica como funcionária da Educação, protestando contra o reajuste de apenas 5,1% na data-base dos servidores públicos estaduais do Paraná. Além de considerar o índice vergonhoso, ela protesta: “Não somos funcionários públicos e sim bóias-fria da educação”.

Para quem mora em centro urbano e não conhece o termo boia-fria, trata-se de trabalhador rural assalariado — mal remunerado, diga-se de passagem — que leva sua própria refeição numa marmita sem isolante térmico por falta de opção e de dinheiro para se alimentar corretamente.

A funcionária da Educação não disse, mas vale a pena recordar que o governador Beto Richa sancionou no início deste mês reajuste aos trabalhadores rurais boias-frias de 10,32% e aos seus próprios servidores públicos apenas de 5,1%.

Eis a mensagem de Rosângela Machado na íntegra:

“Precisamos divulgar que os funcionários da educação carregam marmita, para poderem se alimentar.

Não somos funcionários públicos e sim bóias-fria da educação.
No início de junho o aumento dos Agentes Educacionais I e II chegará com os vergonhosos 5,1%, menor índice desde 2006. Sendo que esse reajuste é para compensar a inflação de 7% do ano anterior.

à‰ uma humilhação nós termos 5,1% enquanto os professores tem mais de 19%.

Onde fica a valorização do profissional da educação? Escutamos tanto dizer que todos somos educadores, que além de nossas funções técnicas e específica, temos também a função de educar e auxiliar os alunos.

Pois bem, temos muito que valorizar e ainda há muito que melhorar no reconhecimento dos professores. Mas e nós educadores, os funcionários?

Devemos e merecemos sermos tratados com tanto descaso e tão notável inferior valorização?

Quer dizer que, aquele funcionário que varre, limpa, cozinha, cuida, zela, atende tanto biblioteca, informática e a secretaria para manter alunos matriculados e toda a organização estrutural e administrativa que mantém a Escola funcionando, não merecemos o mínimo possível para viver dignamente bem e sustentavelmente?

à‰ vendo esse tamanho e pouco reconhecimento com o tão Vitorioso! 5,1% que escrevemos para demonstrar nossa insatisfação.”

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