Dilma é aplaudida de pé na instalação da Comissão da Verdade

Do G1, em Brasília

Dilma Rousseff com ex-presidentes ao chegar para cerimônia de instalação da Comissão da Verdade (Foto: Roberto Stuckert Filho / Presidência).

A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta quarta (16), em solenidade no Palácio do Planalto, que a instalação da Comissão da Verdade não é motivada por “ódio”, “revanchismo” ou “desejo de reescrever a história”.

Acompanhada dos ex-presidentes da República Luiz Inácio Lula da Silva, Fernando Henrique Cardoso, Fernando Collor e José Sarney, Dilma deu posse aos sete membros escolhidos por ela para compor a comissão, que irá apurar as violações aos direitos humanos cometidos entre 1946 e 1988, período que inclui a ditadura militar.

“Ao instalar a Comissão da Verdade, não nos move o revanchismo, o ódio ou o desejo de reescrever a história de uma forma diferente do que aconteceu”, afirmou a presidente em discurso. “Nos move a necessidade imperiosa de conhecê-la [a verdade] em sua plenitude, sem ocultamento”, declarou.

No discurso, a presidente se emocionou – e, em seguida, foi aplaudida de pé – ao se referir a vítimas de violência durante o regime militar. Militante política de esquerda, a presidente foi torturada no combate à  ditadura.

“O Brasil merece a verdade, as novas gerações merecem a verdade e, sobretudo, merecem a verdade factual aqueles que perderam amigos e parentes e que continuam sofrendo como se eles morressem de novo e sempre a cada dia”, afirmou, antes de, emocionada, interromper o discurso.

Em sua fala, Dilma fez referência ao deputado Ulysses Guimarães (PMDB-SP), presidente da Câmara morto há 20 anos, segundo o qual “a verdade não morre por ter sido escondida”.

Com a instalação da comissão, os sete integrantes terão dois anos para apresentar um relatório com a narrativa e as conclusões sobre os crimes cometidos.

“Ao convidar os sete brasileiros que aqui estão que integrarão a Comissão da Verdade, não fui movida por critérios pessoais ou por avaliações subjetivas. Escolhi um grupo plural de cidadãos de reconhecida competência, sensatos e ponderados”, declarou a presidente.

Na solenidade, Dilma também assinou termo pelo qual entrou em vigor, nesta quarta, a Lei de Acesso à  Informação. “Fiscalização controle e avaliação são a base de uma ação pública ética e honesta”, disse, em referência à  lei.

ONU
A cerimônia se iniciou com um pronunciamento de Américo Incalcaterra, representante regional do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, que leu carta da alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, de apoio à  instalação da comissão.

“[A instalação da comissão é um] passo necessário e muito aguardado no processo de prestação contas que irá ajudar toda sociedade brasileira a entender melhor seu passado”, dizia o texto. Segundo a comissária da ONU, o compromisso do Brasil com os direitos humanos é “essencial para apurar as mazelas do passado”.

Em seguida, Dilma deu posse aos sete integrantes da Comissão da Verdade: Gilson Dipp, ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ); José Carlos Dias, advogado e ex-ministro da Justiça; Rosa Maria Cardoso da Cunha, advogada; Cláudio Fonteles, ex-procurador-geral da República; Paulo Sérgio Pinheiro, sociólogo; Maria Rita Kehl, psicanalista; e José Paulo Cavalcanti Filho, advogado.

Segundo a presidente, eles “são capazes de entender a dimensão do trabalho que vão executar com toda a liberdade, sem qualquer interferência do governo mas com todo apoio de que necessitarem”.

O advogado José Carlos Dias, ministro da Justiça no governo Fernando Henrique Cardoso, discursou em nome dos demais conselheiros.

“A instalação desta comissão significa passo relevante para a consolidação da sociedade democrática brasileira, virando página dolorosa de nossa história, em que os direitospúblicos foram suprimidos […] quando se ousava se opor a quem detinha o poder”, afirmou Dias.

O ex-ministro destacou as ações para a instalação da comissão realizadas nos governos FHC e Lula e afirmou que Dilma “marca seu governo com a coragem de assumir um definitivo compromisso com a verdade desse capítulo sombrio de nossa história”.

Segundo ele, “este é um momento que objetiva a conciliação nacional sem caráter derevanchismo ou apedrejamento. à‰ preciso revelar a história para mostrar o que dela foi escondido”.

7 Comentários

Os comentários não representam a opinião do Blog do Esmael; a responsabilidade é do autor da mensagem, sujeito à legislação brasileira.

  1. Vamos assistir mais uma Novela Brasileira sem a participaçao da maior rede Noveleira do País.(leia-se A venus de Prata).Pois bem,nao sei se esta tal comissao da verdade terá ou sera para invetigar e posteriromente julgar aqueles que ainda estao vivo.Se o Estado Brasileiro quer mesmo descobrir a verdade sobre os direitos humanos no Brasil entao, que comece pelo descobrimento do Brasil quando os Indios foram as primeiras vitimas depois, seguem-se pelos Negros trazidos a força com a complacença do Estado covarde Brasileiro que, ate entao, ter Pessoas escravas era legal estava na lei.E por que Nao apurar a guerra do Brasil ,contra o Paraguai 1864-1870 que O Brasil juntamente com Argentina e Uruguai que covardemente desimaram milhares de Pessoas.Presidente se quer passar o Brasil a Limpo que seja desde seu descobrimento e até a criaçao como Estado de fato pegar os anos de 1946 a 1988 é querer enganar o povo, na verdade vcs querem o periodo da Ditadura dos militares que foi de 1964 a 1988 dai eu ja percebo que de verdade esta comissao nao tem nada e sim uma maneira de dizer que estamos pegando tbm outras ditadura como a de Vargas!Só rindo mesmo.Mais uma Vez a esquerda demonstra seu revanchismo por nao ter tornado o Brasil uma CUBA. Pobre Patria

  2. Finalmente, uma pessoa séria, governando o Brasil.

  3. forma de desviar os problemas do pais

  4. Mulher fabulosa!

  5. O Periodo escolhido refere se exatamente Quatro anos antes da Prisão do meu Pai e o ano da morte dele. A verdade que vivenciar junto ao meu Pai, o terceiro capítulo com título de “O Russo Jorge Herllain Filho” livro da Professora Claudia Monteiro da Universidade do Rio Grande do Sul é exemplo da perseguição política na Era Vargas, que vivemos como Família de sete Filhos e sua luta pela vida comum de Cidadão que sempre foi de Sindicalista até Fundação do São Paulo Esporte Clube no bairro do Xaxim em Curitiba em Curitiba 1965.
    Comissões das Verdades permitidas de Curitiba em 2012, tem muita História.

  6. Também foi vaiada pelos prefeitos que não querem dividir os royalties do petróleo com toda a população brasileira. Dilma está sendo uma grata surpresa para toda população, com sua conduta firme, competente e comprometida. Infelizmente, continua sendo atacada pela imprensa golpista (veja) e alvo do ódio dos ressentidos ( as viúvas de FHC)!!!!!!!!!