“Prefeitura de Curitiba mente sobre supersalários”, dizem professores

Professores: "Prefeitura de Curitiba vende imagem de que somos marajás".

A Prefeitura publicou uma reportagem ontem (1) no site Cidade do Conhecimento. A matéria, segundo o Sindicato Municipal do Magistério de Curitiba (Sismmac), distorce uma série de informações para vender a imagem de que o professor da capital ganha bem e é valorizado.

A matéria retrata o professor como um marajá!, acusa a entidade.

“Na visão distorcida da Prefeitura não somos só bem remunerados, como recebemos um supersalário que corresponde ao ‘dobro’ do que determina a Lei. Infelizmente, o que a interpretação da matéria deixa a entender é que se o professor está insatisfeito é porque reclama de ‘barriga cheia’!, diz um comunicado do Sismmac.

Os professores dizem que, além de mentirosa, a reportagem é também um desrespeito à  mobilização que a categoria têm feito em busca de melhores condições de trabalho valorização salarial, correção da carreira e em defesa da qualidade do Instituto Curitiba de Saúde.

O reajuste de 10% é anunciado como um presente do Prefeito, ignorando-se que toda proposta de avanço foi conquistada a partir da mobilização e da pressão feita pelos professores junto à  Prefeitura!.

A seguir, a íntegra da nota do Sismmac:

Confira as mentiras:

1) Segundo a reportagem, os professores da rede municipal de Curitiba recebem mais do que dobro do piso salarial definido pelo Ministério da Educação para a jornada de 40 horas semanais.

Isso é mentira!

Hoje, o Piso Nacional está fixado pelo MEC em R$ 1.451,00 para os professores “leigos!, que possuem apenas o ensino médio, para uma jornada de até 40h.

Para calcular o piso salarial dos professores que possuem graduação, a Prefeitura de Curitiba deveria colocar o valor de R$ 1.451,00 no início da nossa tabela salarial, na parte especial que corresponde ao nível A 100.

Hoje, o início da nossa tabela é R$ 791,64 para uma jornada de 20h (nível A 100). Esse valor é apenas R$66,14 maior que o mínimo se calcularmos o valor proporcional do Piso de R$ 1.451,00 para uma jornada de 20h.

A Lei do Piso foi criada com o objetivo de estabelecer o valor mínimo nacional que deve ser pago aos trabalhadores que atuam no magistério, visando garantir que nas cidades mais pobres os professores não fiquem reféns dos salários de fome. Não dá para comparar a situação de Curitiba, que possui o 4!º maior Produto Interno Bruto (PIB) entre as capitais, com as cidades mais pobres do interior do país.

2) Segundo a reportagem, o salário inicial pago aos professores de Curitiba será R$ 1.594,90 a partir de abril.

Isso é mentira!

PPQ não é salário!
A Prefeitura anunciou um reajuste de 10% a partir de abril. Isso significa que o nosso salário inicial passaria de R$ 1.199,92 para R$ 1312,92.

Para chegar aos R$ 1.594,90 anunciado na reportagem, a Prefeitura soma o valor de R$ 275,00 que, pela proposta da administração municipal, seria destinado ao Programa de Produtividade e Qualidade (PPQ).

Entretanto, pela proposta da Prefeitura, o PPQ será uma graticação variável e não faz parte do salário. Por isso não incorpora na carreira, nem incide integralmente na aposentadoria.

Queremos valorização salarial
Vamos lutar para que esses R$ 275,00 sejam utilizados para aumentar nosso piso salarial, com reflexo estendido para toda a tabela. Se a Prefeitura tem dinheiro para criar uma gratificação de R$ 275,00, deve investir esse recurso em salário.

Com a incorporação desse valor ao nosso salário inicial, teríamos um reajuste de 32,91% com reflexo para toda a tabela salarial.

3) Segundo a reportagem, o salário pago aos professores de Curitiba é o maior entre as grandes cidades e capitais do mesmo porte.

Isso é mentira!

Com o atual piso de R$ 1199,92 estamos em oitavo lugar entre as capitais. Estamos atrás de Brasília, onde os professores recebem R$ 1528,92 por 20h; de Porto Alegre/RS (R$ 1488,40 por 20h); de Campo Grande/MS (R$ 1419,16por 20h); de Belo Horizonte/MG (R$ 1473,76 por 22h30), de Vitória/ES (R$ 1575,93 por 25h), de Cuiabá/MT (R$ 1207,74 por 20h) e de Maceio/AL (R$ 1205,04 por 20h).

O reajuste de 10% proposto pela Prefeitura nos faz subir alguns degraus nesse ranking, mas continuamos abaixo de capitais que possuem arrecadação igual ou inferior a de Curitiba: como Porto Alegre, Campo Grande e Belo Horizonte.

Com o piso salarial de R$ 1312,92, continuaremos ganhando menos do que recebem os professores de alguns municípios da Região Metropolina de Curitiba, como Araucária onde o salário inicial é de R$ 1.379,40.

4) Segundo a reportagem, os professores de Curitiba possuem 24,5% de hora-atividade (permanência)

Isso é mentira!

Quem está no dia a dia da escola sabe que o magistério como um todo tem apenas 4 horas de hora-atividade por semana, o que corresponde a 20% da nossa jornada de trabalho de 20 horas.

A Lei do Piso aprovada em 2008 determina que esse percentual deve ser ampliado para 33,33%, ou seja, aproximadamente 7 horas por semana. Lutamos há quase três anos que a Prefeitura pare de adiar o cumprimento da Lei e reconheça nosso direito!

VALORIZAà‡àƒO DE VERDADE
Cabe a nós, professores mobilizados em defesa de nossos direitos e em defesa da qualidade da educação, lutar para que a Prefeitura transforme cada uma dessas mentiras em verdade.

Curitiba tem capacidade orçamentária para fazer com que o seu magistério se torne, de fato, o mais bem pago entre as capitais. No discurso, a Prefeirura gosta de anunciar que fazemos a melhor educação do país, então, é justo que recebamos também o melhor salário.

Mas para que alcançar de fato esse patamar ainda é preciso avançar muito. Além de e continuar a negociação sobre nossa recomposição salarial, temos que avançar também nas nossas reivindicações sobre condições de trabalho, plano de carreira e sobre a qualidade do Instituto Curitiba de Saúde.

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