Artigo: Interesse público deve guiar a revisão dos contratos do pedágio

por Elton Welter*

Deputado Elton Welter.

As notícias da última semana indicam que os atuais contratos do pedágio das estradas paranaenses, firmados há cerca de 15 anos pelo então governador Jaime Lerner e um grupo de concessionárias, estão perto do fim, pelo menos em sua forma atual. O fato mais importante foi o acórdão do Tribunal de Contas da União determinando que as partes contratantes revejam os contratos, num prazo de 360 dias.

O TCU agiu com base numa solicitação da então senadora Gleisi Hoffmann, hoje ministra-chefe da Casa Civil, e confirma aquilo que a bancada do PT na Assembleia Legislativa sempre afirmou: esses contratos são lesivos ao interesse público, as tarifas são extorsivas, a contrapartida das concessionárias não existe ou existe em grau mínimo.

De acordo com o TCU, as tarifas cobradas pelas concessionárias (na verdade, autorizadas pelo governo) não correspondem ao valor das obras de melhoria ou manutenção das rodovias pedagiadas. à‰ uma conclusão a que os paranaenses já chegaram há muito tempo. A não duplicação de trechos congestionados, como é o caso, por exemplo, da BR-277, e a má conservação da maioria das estradas têm cobrado um alto custo da população, em tempo, dinheiro e vidas.

Como já disse, há muitos anos o PT vem combatendo o pedágio. O governo anterior e sua bancada de deputados, igualmente. Diversas ações foram impetradas, mas, por conta das filigranas contratuais astutamente inseridas, essas ações nunca chegaram a bom termo.

Chegamos, porém, a um momento em que a insatisfação popular acumulada somada ao montante de evidências sobre a ilegitimidade dos contratos conduzem a uma situação em que a revisão das tarifas (na prática, dos próprios contratos) já é vista como uma certeza. A prova disso é a manifestação do próprio secretário estadual de Infraestrutura e Logística, José Richa Filho, de fato e de sangue um dos principais articuladores do governo. Richa Filho afirma que as negociações entre o governo e as concessionárias, com o objetivo de melhorar as condições de uso das estradas e aumentar a segurança dos usuários, já vêm se desenvolvendo há um ano. O secretário ainda diz que o acórdão do TCU reforça a posição do governo: O relatório nos dá mais autoridade na negociação com as empresas!.

à“timo que seja assim. Pena que, em meio a essas aludidas negociações, as tarifas tenham sido novamente majoradas, em 1!º de dezembro do ano passado, mais uma vez sem que ninguém soubesse com base em quê.

De qualquer forma, é louvável que o governo estadual esteja pensando seriamente na revisão dos contratos. Se assim for, o governo certamente não se oporá a iniciativa do companheiro Péricles de Mello, do PT, que pediu a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre os pedágios; certamente não colocará obstáculos à  minha proposta, feita em meados do ano passado, de que uma comissão de deputados acompanhe essas negociações. Igualmente, verá com bons olhos os pronunciamentos dos deputados, não apenas da oposição, mas também vários da bancada do governo, quando expressam a indignação da população com as condições das rodovias paranaenses. Um governo realmente interessado em revisar contratos lesivos só pode aplaudir propostas que proporcionem a plena transparência do processo de renegociação. Se esta vier a ser realmente a intenção do governo, não há dúvida de que ele terá o povo do Paraná ao seu lado.

Isso tudo, porém, é especulação. As declarações do secretário Richa Filho não combinam com a postura geral do governo. De nossa parte, vamos seguir no mesmo caminho de sempre: vigilantes e pró-ativos na defesa dos interesses do povo do Paraná.

*Elton Welter (PT) exerce o terceiro mandato como deputado estadual e é líder da Oposição na Assembleia Legislativa do Paraná.

4 Comentários

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  1. cobram pedagios mas o transito não flui, quando se paga por um seviço ,tem que valer o direito do consumidor ,pois o pedagio e um negocio tal qual os outros. a diferença que o procon não intereça interagir contra essas empresas.quando e uma loginha de fundo de quintão o procon com o ministerio publico ruge ,mas na qualidade do serviço nas estradas pedagiadas ,ai são gatinhos alongados.a justiça tem obrigaçao de cuidar disso!se a gente paga pedagio ,precisa ter qualidade!pedagio é negocio rentavel ,se assim não fosse as empresas ja teria saido fora ,regeitando as concessões. não e e uma instrumentação para que por ventura alguem escute!

  2. No Rio Grande do Sul os contratos de concessão não serão renovados por terem sido considerados abusivos.

  3. Já passou da hora! Temos no PT a representação mais fiel do sentimento do povo do Paraná! A indignação diante do descalabro e o abusivo preço do pedágio!
    As concessionárias estão ganhando dinheiro fácil e o povo fica calado diante do desrespeito! Onde estão as duplicações! É um absurdo viajar pela BR 277!
    Atualmente gasto mais de 4 horas para percorrer um trecho de 245 km pela rodovia congestionada e cheia de pontes e curvas perigosas que liga o Centro Sul do Estado à Curitiba passando por nada mais nada menos que 5 praças de pedágio!
    Esse pedágio é roubo!