Dilma evita discutir direitos humanos em Cuba e diz que Brasil tem “telhado de vidro”

Dilma Rousseff e Raul Castro.
da Agência Brasil

A presidenta Dilma Rousseff disse hoje (31), na capital cubana, Havana, que sua posição é a de defender os direitos humanos de maneira global e não tratar dos assuntos ligados a violações específicas atribuídas a Cuba. “O mundo precisa se comprometer em geral. Não é possível fazer da política de direitos humanos só uma arma de interesse político e ideológico. O mundo precisa se convencer que é algo que todos os países do mundo têm de se responsabilizar, inclusive o nosso”, disse a presidenta.

A visita oficial da presidenta brasileira à  ilha caribenha vem sendo cercada de expectativa sobre seu posicionamento em relação à s liberdades individuais, principalmente por parte de dissidentes do regime comunista no país. Dilma sinalizou que não tratará desse assunto com as autoridades locais dizendo que o Brasil, em matéria de direitos humanos, também tem “telhado de vidro”.

“Quem atira a primeira pedra tem telhado de vidro. Nós, no Brasil, temos os nossos”, alertou a presidenta em entrevista coletiva. “Eu concordo em falar de direitos humanos dentro de uma perspectiva multilateral. Acho que esse é um compromisso de todos os povos civilizados. Há necessariamente muitos aspectos a serem considerados, mas, de fato, é algo que nós temos que melhorar no mundo de maneira geral!, destacou Dilma.

Ontem (30), dissidentes cubanos chegaram a dizer que não esperavam que a presidenta fosse interceder junto ao governo de Cuba sobre as questões relativas à  liberdade de expressão. O posicionamento de Dilma diante do tema, no entanto, vem sendo esperado pela blogueira cubana Yoani Sanchez, que enviou uma carta à  presidenta pedindo sua interferência para que ela consiga autorização do governo cubano para deixar o país e viajar ao Brasil.

Dilma, no entanto, deixou claro que a ação do Brasil se limitará à  concessão de visto de turista, o que já ocorreu na semana passada. “O Brasil deu seu visto para a blogueira. Os demais passos não são da competência do governo brasileiro”, disse a presidenta.

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