O Aerobeto de R$ 16 milhões

por Celso Nascimento, na Gazeta do Povo

Charge via Blog do Tarso.

Turbo-hélice de oito lugares, capaz de voar a uma velocidade mínima de 450 km/h, com acabamento interno digno de um avião para executivos, o que inclui serviços de frigobar e sistema de entretenimento composto por aparelhos de CD e DVD e tela de LCD. Por um avião desses, a Copel Distribuição e Transmissão (subsidiária da estatal Copel) está disposta a pagar até R$ 15.911.234,40, conforme edital de licitação lançado pela companhia. Apesar da complexidade técnica das exigências, os interessados têm só até o dia 6 para apresentar suas propostas.

De que maneira os arquitetos do edital chegaram a um custo máximo tão preciso, incluindo os centavos, não se sabe. Melhor arredondar: 16 milhões de reais. E para quê a subsidiária encarregada da geração e transmissão de energia precisa pagar tanto por uma aeronave com aquelas características também não se sabe. Para inspecionar linhas de transmissão? A 450 por hora em vôos rasantes? Improvável. A conclusão, aparentemente óbvia, é de o avião não está sendo encomendado para uso da Copel. Então, a quem ele serviria?

à‰ possível buscar a resposta retrocedendo uns 10 meses na história do Paraná, quando o governo recém-empossado descobriu que a frota aérea oficial estava em frangalhos. Era inseguro demais para o governador Beto Richa viajar nos aviões disponíveis. Por isso, fez-se a contratação emergencial, sem licitação, de aparelhos fretados pela empresa Helisul ao custo de R$ 2 milhões. Uma vez Beto também chegou a ser fotografado desembarcando de um vôo de carreira da TAM em Londrina. De uso de aeronaves cedidos por empresários amigos sabe-se do caso daquele helicóptero que, com Richa e acompanhantes a bordo, quase se espatifou no Aeroporto de Campo de Marte, em São Paulo, em maio passado.

Diante de tais agruras, concluiu-se que o melhor é ter um avião novinho, o Aerobeto, fabricado em 2012 e equipado com o que houver de mais moderno em termos de segurança e funcionalidade. Daí a escolha de um turbo-hélice, com autonomia de 1.500 quilômetros (quase ida-de-volta a Brasília) mas, ao mesmo tempo, capaz de operar em pistas curtas e de terra nos grotões do Paraná, conforme preceitua também o edital do pregão presencial SLS/DAQM n!º 504176, disponível no site da empresa.

Ontem, o deputado Tadeu Veneri (PT) apresentou requerimento pedindo informações à  Copel. Nem chegou a ser votado: o líder do governo, deputado Ademar Traiano, conseguiu adiamento, mas à  imprensa admitiu que, sim, talvez Beto Richa venha a ser o usuário principal do turbo-hélice. Para isso, esclareceu o líder, basta que o governo formalize um convênio com a estatal em que esta cede o aparelho para as viagens do governador.

A compra de um novo avião !“ que só será entregue no prazo de 300 dias !“ não chega a recompor totalmente a frota oficial. Lembre-se que foram leiloados dois inservíveis !“ um turbo-hélice King Air e um jato Cessna Citation. A aeronave agora em fase de licitação apresenta características que o aproximam do velho King Air. O que pode significar a possibilidade de estar em gestação a compra também de um jatinho para substuir o Citation.

4 Comentários

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  1. Lamentável a Copel ser usada para esta finalidade. O governador se orgulha tanto de ser engenheiro e de “fazer as coisas com profissionalismo”, mas faz uma lambança desta com uma empresa que é referência em geração e transmissão de energia.
    Esta não é a maneira correta de renovar a frota aérea.
    O Beto Lerner está esgotando as nossas energias.

  2. é brincadeira
    eu sou a favor que o governo tenha modernos aviões e veículos, o que eu fico puto é a choradeira feita na compra dos aviões do LULA, tinha tucano roxo de raiva por aqui e em Brasília.

    Engraçado no poder eles são todos iguais

  3. Não foi à toa que minha conta de Luz não pára de “subir!!!!!”

  4. Esmael, só uma correção… a subsidiária é Copel “Geração e Transmissão”, Distribuição é outra subsidiária…