Livro “A Vida Quer à‰ Coragem” conta a história de Dilma

por Mônica Bergamo, na Folha

Dilma e Lula no Palácio da Alvorada, na noite da eleição de 2010. (Ricardo Stuckert)

Entre janeiro e março de 2009, já pré-candidata à  Presidência da República, Dilma Rousseff fez 18 viagens pelo país, foi aos Estados Unidos, participou de 77 reuniões, audiências e inaugurações. Até que, em 20 de março, num check-up de rotina, os médicos descobriram um caroço abaixo de sua axila esquerda.

A ministra achava que era um pelo encravado. Uma sequela de depilação. Um mês depois, o diagnóstico: ela estava com câncer. No livro “A Vida Quer à‰ Coragem”, sobre a vida da presidente, que será lançado no dia 15, o jornalista Ricardo Amaral, veterano que já passou por algumas das principais publicações do país e que trabalhou na assessoria da campanha de Dilma, no ano passado, relata como ela reagiu à  notícia e enfrentou a doença.

Num primeiro momento, Dilma pediu aos médicos que não contassem nada a ninguém, revela Amaral. Nem mesmo ao presidente Lula. A coluna apurou que ela chegou a entrar escondida no hospital Sírio-Libanês para as primeiras sessões de quimioterapia. E que só mudou de ideia depois de constatar que a notícia tinha vazado para a Folha.

Em 24 de abril, ela contou a Lula e convocou uma entrevista coletiva para o dia seguinte. No dia 25, a Folha revelou que Dilma passava por tratamento de saúde, antes de ela dar a informação completa aos demais jornalistas.

O livro relata que Dilma não queria fazer exames detalhados quando o nódulo foi descoberto. “Eu não tenho nada, eu conheço muito bem o meu corpo, conheço muito bem.” Cedeu. Dias depois, quando exames confirmaram o diagnóstico, o médico Roberto Kalil Filho disse a ela, “para quebrar o clima”: “Você não conhece o seu corpo tão bem assim…”.

No primeiro dia de hospital, Dilma sofreu, relata Amaral. Suas veias não são boas para injeções e ela teve que instalar um tubo de plástico no braço para receber a medicação. Fez uma punção na espinha dorsal. Teve náuseas, dores, mal-estar. “Mais uma vez, ela pediu ao cardiologista [Kalil] que não contasse a ninguém.”

Os primeiros a saber da notícia foram sua filha, Paula, e seu ex-marido, Carlos Araújo. A eles, segundo o livro, ela disse que falaria com Lula. Amaral relata que Dilma ligou para o então presidente: “Eu tenho uma coisinha importante para contar”. E pediu a Kalil que desse as primeiras informações ao presidente. No dia 24, ao se encontrarem, Lula teria dito: “Tranquila, Dilminha, tranquila. Você é forte, vai conseguir”.

Entre esse momento e a entrevista coletiva, uma tarefa difícil: impedir que a mãe, Dilma Jane, soubesse de tudo pela TV. Dilma pediu a uma amiga íntima: “Corre lá pra casa, fica com a Dona Dilma e não deixa ela nem passar perto da televisão hoje”. No dia seguinte, um domingo, a então ministra contou tudo pessoalmente à  mãe.

Duas semanas depois da primeira sessão de químio, “Dilma percebeu, durante o banho, que seus cabelos começavam a cair”. Chamou a cabeleireira e disse: “Raspa tudo de uma vez”. Segundo o livro, “foi um dia triste, muito triste, na casa da ministra”.

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