Em artigo, presidente da CUT diz que privatizações de Richa são “marcha à  ré” na história

Túnel do tempo

por Roni Barbosa*

Roni Barbosa.

Um governo neoliberal com o claro projeto de privatização de bens e serviços públicos. Apesar das promessas de que a entrega do patrimônio público à  iniciativa privada não iria ocorrer, na prática a realidade foi outra.

A falta de diálogo com a sociedade civil organizada, tomadas de ação sem o menor preceito democrático e decisões empurradas goela abaixo da sociedade. O resultado foram grupos de movimentos populares, revoltados com a decisão, ocupando a Assembléia Legislativa com o intuito de protestar e barrar a onda privatista.

Este é o cenário que tomava conta do Paraná em 2001, ou seja, 10 anos atrás. O então governador Jaime Lerner tentava, a qualquer custo, privatizar a Copel e as ações populares conseguiram mostrar ao Brasil a insatisfação dos paranaenses com o andamento dos rumos. Lerner, que embora continue sendo referência na área de urbanismo, morreu politicamente e hoje nada mais é que um ponto negativo para seus ex-asseclas que tentam, a qualquer custo, desevincular-se da imagem do precursor de políticas neoliberais no Paraná.

Pois uma década se passou e, se a princípio, todos acreditávamos que a onda privatista poderia ser coisa do passado, eis que um dos ex-deputados da base de apoio de Jaime Lerner cresce em sua carreira política e alcança o posto de chefe do executivo estadual. Parece que entramos em um túnel do tempo.

Novamente serviços públicos no Paraná, e aí estão inclusas atividades essenciais como atendimento público à  saúde, são encaminhados para a terceirização. Puro neologismo político para maquiar a privatização do Estado, precarizar o atendimento ao cidadão, desvalorizar o servidor público e estabelecer relações com Organizações Sociais e Organizações Não Governamentais cujos reais interesses dificilmente serão tornados públicos.

O resultado não poderia ser outro. O povo paranaense, chamado corretamente de ordeiro e pacífico, não engoliu esta proposta e voltou ao que dizem ser a sua casa, a Assembléia Legislativa. Agora o Governo do Estado utiliza-se de uma cortina de fumaça, disparando acusações e colocando servidores públicos para investigar a vida de manifestantes, inclusive estudantes. Parece que a parte da máquina pública que desejam deixar intacta servirá para atender interesses políticos e pessoais, um pensamento no mínimo nada republicano e democrata.

à‰, definitivamente, o retorno do mesmo grupo que vendeu a Sanepar, tentou entregar a Copel, precarizou o atendimento público, terceirizou serviços, abandonou servidores a sua própria sorte e focou os cargos comissionados como alvo principal de uma política de valorização salarial egoísta, mesquinha e irresponsável.

As ocupações da Assembléia Legislativa ficaram marcadas. Em 2001 e em 2011. Se em momentos diferentes, com um objetivo fim semelhante. Evitar a privatização de serviços públicos. Neste túnel do tempo o filme é o mesmo. Só mudou o ator principal, que subiu de coadjuvante no processo privatista para protagonista da entrega do Paraná para sabe-se lá quem. Parabéns, Beto Richa.

*Roni Barbosa é advogado e presidente da Central Única dos Trabalhadores do Paraná (CUT-PR).

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