Por Esmael Morais

Primeiro museu brasileiro sobre holocausto é inaugurado em Curitiba

Publicado em 20/11/2011

A maior parte do nosso acervo será exibido apenas em mostras temporárias!, informou Carlos Reiss, coordenador do espaço. A parte externa do museu, erguido ao lado do Centro Israelita do Paraná custou R$ 1 milhão e é decorada com pedras trazidas de Jerusalém e vitrais da Argentina.

Há dois anos, Miguel Krigsner, idealizador do museu, contratou uma empresa especializada em projetos museográficos para trabalhar na montagem da exposição, particularmente rica em fotografias e vídeos. Os objetos são poucos, até porque quase tudo se perdeu. Mas, além da torá da Noite dos Cristais, doada pelo museu do holocausto de Jerusalém, localizei um diário em que meu avô, que fugiu da Alemanha para a Itália antes da guerra, descreve sua trajetória e o cotidiano daqueles dias!, disse Krigsner.

A família do pai do empresário, de origem polonesa, conseguiu escapar do nazismo. Mais tarde, os pais dele se conheceram na Bolívia, onde se casaram. Em La Paz, Miguel Krigsner nasceu em 1950. O empresário vive no Brasil desde 1961. Em 1977, ele abriu uma pequena farmácia de manipulação, no centro de Curitiba, que deu origem a uma das maiores empresas de cosméticos do mundo, O Boticário.

Não temos a intenção de julgar ou criticar, mas sim de levantar a questão e trazer consciência maior sobre o tema para, principalmente, evitar que volte a acontecer. A grande missão do museu é trazer a questão da tolerância. Tratamos da discriminação, da intolerância, alertando para o que pode acontecer não só contra judeus. Veja-se a diferença de salários, no Brasil, entre brancos, negros, pardos e indígenas. Somos um país que sempre primou pelo acolhimento e a igualdade. Por isso, não podemos correr o risco que de importar conflitos que existem lá fora!, afirmou Krigsner.
Preocupação pedagógica

A ideia é fazer do museu um espaço dinâmico e vivo!, afirmou Reiss. No espaço de visitação, buscamos atingir o visitante com desde objetos da época, réplicas e fotografias até documentos, vídeos e aplicativos multimídia!, diz. O percurso é propositalmente tortuoso, claustrofóbico, de forma a lembrar os guetos e campos de concentração do período da guerra.

Uma das intenções do coordenador é fazer do museu um espaço pedagógico. Vamos funcionar como um espaço educativo, aberto a escolas, e oferecer um centro de ensino e estudos do holocausto!, disse Reiss.

Por conta disso, os horários de visitação serão restritos, e será obrigatório agendar visitas !“que só começam em fevereiro, prazo necessário para a finalização do setor administrativo e do centro de documentação do museu.

Ao público em geral, vamos abrir à s terças-feiras à  tarde, quartas-feiras, durante todo o dia, e à s sextas-feiras e aos domingos, pela manhã!, diz Reiss. As visitas poderão ser feitas individualmente ou em grupos de até 30 pessoas, desde que agendadas pelo site www.museudoholocausto.org.br.

Com esta solenidade simbólica, estamos apresentando o museu à  sociedade e anunciando que ele está em fase de conclusão. Essa divulgação é muito importante, pois coloca o assunto em pauta, e certamente fará com que possamos receber novas doações e cessões de materiais para ampliação do acervo!, finalizou Reiss.