Pressionado por ação do MP, Derosso se afasta da Câmara

João Cláudio Derosso. Foto: Denis Ferreira Neto.

por Chico Marés, via Gazeta do Povo

A contragosto, o presidente da Câmara de Curitiba, João Cláudio Derosso (PSDB), pediu afastamento por 90 dias do comando da Casa. O pedido foi votado na sessão de ontem e aprovado por unanimidade. Derosso pediu também uma licença temporária do PSDB.

No pedido, Derosso se diz vítima de perseguição política por parte da imprensa, deixa claro que o pedido não é de seu desejo no presente momento! e diz que seu afastamento servirá para facilitar os trabalhos de investigação das denúncias das irregularidades nos contratos de publicidade. Quem assume a presidência interinamente é Sabino Picolo (DEM).

Derosso está sob suspeita de ter cometido irregularidades na contratação de agências de publicidade para a Câmara. Apenas duas empresas responderam ao edital publicado em 2006. Uma delas é a Oficina da Notícia, de propriedade de sua atual esposa, a jornalista Cláudia Queiroz Guedes. O caso foi investigado pelo Ministério Público, pelo Conselho de à‰tica da Câmara, pelo Tribunal de Contas e por uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).

Em entrevista à  RPC TV, Derosso afirmou que sempre cumpriu decisões judiciais e que, por isso, pediu seu afastamento. Uma vez que fui denunciado pelo Ministério Público (…) achei por bem tirar essa licença temporária para que a Justiça tenha toda a tranquilidade e ver que tudo aquilo que foi feito estava correto!, disse o vereador. Derosso também defendeu seu legado no comando da Câmara. Fui eleito presidente em 1997 e fiz a transformação que essa Casa precisava e ainda precisa, uma transformação física, administrativa e em transparência.!

Na última quinta-feira, o MP entrou com uma ação por improbidade administrativa contra Derosso. A ação incluía um pedido liminar de afastamento do vereador da presidência da Câmara e o bloqueio de seus bens. Além disso, o MP pede também a devolução de R$ 5,9 milhões aos cofres públicos. Com essa suspensão iminente, vereadores da base de apoio ao prefeito Luciano Ducci (PSB), incluindo o próprio Derosso, se reuniram ontem e decidiram, em conjunto, que seria melhor que ele se afastasse por conta própria. Houve uma reunião de lideranças com o presidente e chegou-se ao entendimento de que seria importante para o Parlamento que houvesse esse pedido de afastamento!, afirma o vereador Pastor Valdemir Soares (PRB), um dos principais aliados de Derosso.

Já a oposição avalia que a saída de Derosso deve ser positiva para a Câmara. Desde o início desse processo nós já defendíamos o afastamento dele!, comenta o vereador Pedro Paulo (PT). Entretanto, a vereadora Professora Josete (PT) pontua que a saída veio em um momento em que ele já não tinha mais outra saída. As investigações começaram há quatro meses, mas só agora o vereador decidiu se afastar do cargo. Para ele, é menos mau pedir o afastamento do que ser afastado pela Justiça!, diz a vereadora.

Apesar da licença, o Conselho de à‰tica ainda deve apresentar um outro pedido de afastamento do presidente da Casa. Existem duas diferenças entre os dois processos: o processo do Conselho é punitivo, enquanto o afastamento pedido pelo MP é cautelar. Além disso, os vereadores podem determinar que Derosso se afaste do cargo de vereador, e não só da presidência da Casa. A comissão que avalia essa punição ainda não tem uma data para apresentar esse pedido e nem a duração desse afastamento !“ que pode ser de até 90 dias.

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