Reunidos em Curitiba, sem-terrinha pedem melhorias no ensino em assentamentos

Sem-terrinha.

Via Agência Brasil

Nos 300 assentamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Paraná, existem 146 escolas que atendem 12 mil alunos. Isso é a metade da nossa necessidade!, diz a coordenadora de Educação do MST, Sandra Scheerer. Segundo ela, algumas escolas funcionam há mais de 20 anos em antigos e precários barracões que eram sedes de fazendas. A maioria carece de infraestrutura !“ não há telefones e poços artesianos, por exemplo. Para a coordenadora, esse é um dos motivos dos altos índices de evasão escolar nos assentamentos.

Apenas 22 escolas oferecem até o ensino médio. De acordo com Sandra, em vários assentamentos, o ensino é garantido apenas até o 5!º ano (ou 4!ª série), e, com isso, muitos alunos desistem de estudar. Entre os que continuam matriculados, é alto o nível de reprovação devido à s faltas, frequentes em alguns locais de difícil acesso.

Há também escolas itinerantes que atendem as comunidades. No Paraná, são dez unidades, onde estão matriculados 1,2 mil estudantes. Para a coordenadora, o número é muito baixo para atender à  demanda.

Para discutir os problemas referentes à  educação no campo, cerca de 2,5 mil crianças e adolescentes, filhos de agricultores, estão em Curitiba, onde participam do 9!º Encontro dos Sem Terrinha do MST e do 1!º Festival de Artes das Escolas de Assentamentos da Reforma Agrária do Paraná.

Até a próxima quarta-feira (2), eles vão trocar experiências e debater o tema desta edição do encontro, que é Por uma Escola do Campo e Alimentos sem Agrotóxicos.

As estudantes Ana Paula de Souza, 16 anos, e Karina Aparecida, 15 anos, fazem parte do grupo. Elas são do acampamento Companheiro Keno, de Jacarezinho. A escola de Ana Paula fica na fazenda onde ela mora. A estudante reclama da má qualidade do ensino e se mostra solidária com a colega, que mora em outra fazenda do acampamento, distante cerca de 3 quilômetros.

Nos dias em que chove, ficamos em casa. A estrada não é asfaltada. Nem os professores conseguem chegar lá!, contou Karina à  Agencia Brasil.

Para um dos organizadores do encontro, Levi de Souza, é preciso difundir a cultura no campo e quebrar o estereótipo! de atraso que muitas vezes é associado ao ambiente rural.

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