Rafinha Bastos pede demissão na Band

por Altamiro Borges, via Blog do Miro

Humorista debochou do gancho que recebeu (Reprodução/ Twitter).

O jornalista Flávio Ricco, em sua coluna no UOL, informa hoje que Rafinha Bastos já formalizou o seu pedido de demissão para a direção da TV Bandeirantes. A emissora ainda não tem posição oficial sobre o assunto, que envolve inclusive a delicada questão da multa rescisória. A decisão só deverá ser tomada após o feriado de amanhã, quando a alta cúpula Band retorna de um evento em Cannes.

Queda de audiência e crise existencial

“Entre outros motivos, segundo a coluna pode apurar, Rafinha alega que não tem mais condições de voltar ao ar. Ele não saberia como se comportar no CQC e o que poderia ou não dizer no programa, quando se autorizasse a sua volta”.

Para apimentar ainda mais o caso, o jornalista Alberto Pereira Jr., que edita a coluna Zapping, do jornal Agora, revela que “a polêmica que envolveu Rafinha Bastos, afastado do CQC, ajudou a mascarar a audiência do programa, que, neste ano, está oscilando para baixo. Em março, a atração marcou 5,6 pontos no Ibope da Grande SP. Em junho, bateu 6,4, mas caiu para 5,1 em setembro. Na última segunda-feira, o CQC marcou 4,6 pontos”.

Por que Rafinha caiu?

Para entender melhor o drama de Rafinha Bastos, que adora piadas de mau gosto, sugiro a leitura do ótimo texto de Gilberto Maringoni, publicado no sítio Carta Maior:

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Rafinha não dançou por machismo, mas por mexer com gente rica

Qual é o problema com a suposta piada de Rafinha Bastos? Ele antes já exibira todas as cores de seu mau gosto e nada acontecera.

Todos conhecem a pérola, não? O apresentador aproveitou-se de uma bola levantada pelo chefe da cena do programa Custe o que Custar (CQC), Marcelo Tas, sobre a gravidez da cantora Wanessa Camargo, e cortou ligeiro: Eu comeria ela e o bebê, não tô nem aí!. Foi logo acompanhado por risos e caretas de seus colegas de vídeo, Tas e Marco Luque .

A grosseria foi ao ar dia 19 de setembro. A TV Bandeirantes, que exibe o programa, levou duas semanas para decidir o que fazer. Em 3 de outubro, o apresentador foi suspenso da bancada. Não se sabe se voltará.

Não foi a primeira vez que Rafinha exerceu sua !“ digamos – sutileza. Em entrevista à  revista Rolling Stone, em maio de 2011, ele saiu-se com esta: Mulheres feias deveriam agradecer caso fossem estupradas, afinal os estupradores estavam lhes fazendo um favor, uma caridade!.

A gracinha com as feias não rendeu ao gaúcho de dois metros de altura nada além de protestos de movimentos femininos. Mas a liberdade com a cantora custou-lhe até agora, além do posto no programa, o cancelamento de shows e o rompimento de alguns contratos de publicidade. Rafinha perdeu grana com a brincadeira.

Pensamento vivo

Repetindo: qual o problema com as tiradas do rapaz de 34 anos, num universo midiático em que o mau gosto, a boçalidade e o politicamente incorreto! passaram a ser valores em si?

Rafinha vive num tempo em que as demonstrações de preconceito, como as do apresentador de outro programa de entretenimento da mesma emissora, Boris Casoy, não têm consequências maiores. Todos se recordam da fineza do jornalista ao desqualificar dois garis que apareceram em seu programa para desejar boas festas, no final de 2009. Sem saber que os microfones estavam abertos, ele foi ao ponto: “Que merda: dois lixeiros desejando felicidades do alto da suas vassouras. O mais baixo na escala do trabalho”.

O artista do CQC também sabe que o pensamento vivo de gente como o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) recebe destacada acolhida em grandes meios de comunicação. Sua entrevista à  revista Playboy, em junho último, é pródiga em preciosidades. Segue um exemplo: Moro num condomínio, de repente vai um casal homossexual morar do meu lado. Isso vai desvalorizar minha casa!!.

Outro luminar da intelectualidade midiática, o ex-compositor Lobão, por sua vez, exibiu os músculos cerebrais em um festival de cultura em São Francisco Xavier (São José dos Campos, SP), também em junho. Após demonstrar criteriosamente que toda a música popular brasileira não tem nenhum valor, ele sentenciou: A gente tinha que repensar a ditadura militar. Essa Comissão da Verdade que tem agora. (!¦) Que loucura que é isso? Aí tem que ter anistia pros caras de esquerda que sequestraram o embaixador, e pros caras que torturavam, arrancavam umas unhazinhas, não?!.

Os exemplos são infindáveis. Rafinha provavelmente é leitor de Reinaldo Azevedo, o blogueiro de Veja, que, em março de 2010, durante uma palestra no afamado Instituto Millenium, em São Paulo, externou sua particular concepção de liberdade de expressão: A imprensa tem que acabar com o isentismo e o outroladismo, essa história de dar o mesmo espaço a todos!. Na mesma oportunidade, o cineasta aposentado Arnaldo Jabor lançou o desafio de impedir politicamente o pensamento de uma velha esquerda que não deveria mais existir no mundo!. Impedir o pensamento… muito bom!

A baixaria televisiva contaminou até mesmo as campanhas eleitorais. Continuam na memória de todos os ataques da campanha de José Serra à  Dilma Rousseff, em 2010, sobre o tema do aborto. Em Nova Iguaçu (RJ), Monica Serra, esposa do então candidato tucano, disse o seguinte sobre a petista: “Ela é a favor de matar as criancinhas”.

Dois anos antes, a campanha de Marta Suplicy (PT) à  prefeitura de São Paulo já havia colocado em dúvida a sexualidade de seu oponente, ao dizer: Você sabe mesmo quem é o Kassab? Sabe de onde ele veio? Qual a história do seu partido?! Em seguida, aparece a foto do prefeito: Sabe se ele é casado? Tem filhos?!

Bem acompanhado

Rafinha está em boa companhia. Deve se sentir incentivado para exercer seu rosário de preconceitos. Provavelmente pensa estar quebrando paradigmas!, investindo contra o estabelecido e externando uma rebeldia adolescente, que lhe granjeia grande popularidade e bons cachês.

Ridicularizar e humilhar quem tem poucas chances de se defender, em uma sociedade com desigualdades abissais como a brasileira, é um grande negócio. Prova isso a lista de clientes dos shows do moço, que constam de sua página na internet. São elas Votorantim, Bosch, Agroceres, LG, HP, Ernst & Young, IBM, Banco Real, Vivo, Springer Carrier, Cargil, Unilever, Motorola, Chevrolet, Sherwin Williams, Valor Econômico, Bunge, GNT (Globosat), Jornal O Estado de S. Paulo, Coca-Cola, Bradesco, ESPM etc. Segundo a Veja, ele foi visto em mais de 730 comerciais somente neste ano.

Rafinha faz parte de uma tendência do humor televisivo, que se abriu após a chegada dos humoristas do Casseta e Planeta ao vídeo. A linhagem envolve também o programa Panico (da Rede TV!) e outros imitadores, além do Zorra Total, da Globo. Todos se dizem distantes da política, independentes e praticantes de um humor anárquico e sem freios. Nem mesmo a participação de Marcelo Tas como palestrante em um encontro da juventude do DEM ,em novembro de 2008, ou de Marcelo Madureira nas palestras hidrófobas do Instituto Millenium, os comprometem, segundo eles, com idéias que não as próprias.

Acima da cintura

Num panorama desses, repetimos: qual o problema de Rafinha Bastos?

O problema é que o garoto bateu acima da cintura.

Tudo bem desancar garis, a esquerda que foi à  luta nos anos da ditadura, exaltar a parcialidade da imprensa e atacar homossexuais e outros grupos vulneráveis.

Não pode é investir contra o topo da pirâmide social.

Rafinha cometeu esse pecado. Wanessa Camargo é casada com Marcus Buaiz, 31 anos, herdeiro de um dos maiores conglomerados empresariais do Espírito Santo, o Grupo Buaiz, que completa 70 anos em 2012. O grupo é formado pela TV Vitória (afiliada da Rede Record), por duas rádios, pelo Nova Cidade Shopping Center, por várias empresas de alimentação (Café Número Um, Moinho Três Rios e Moinho Vitória), pela Buaiz Importação e Exportação, pela incorporadora Meca e pela Automóbile Comércio de Veículos, entre outras.

Marcus Buaiz transferiu-se para São Paulo, onde é proprietário de casas noturnas e restaurantes, além de uma empresa de marketing esportivo, a 9INE, em parceria com o ex-jogador Ronaldo Fenômeno. Segundo o jornal A Gazeta, de Vitória, o empresário e seu sócio teriam ameaçado tirar anúncios do programa, após a performance de Rafinha Bastos. Um comercial de 30 segundos no CQC custa 130 mil reais. Já um merchandising pode custar de 240 mil a dois milhões e 400 mil reais, sem incluir cachês!, diz a publicação.

Com tudo isso, a Bandeirantes podou Rafinha Bastos de sua programação.

Dois pesos

O curioso da história é que intenção semelhante, de retirada de um comercial de lingerie do ar, por parte da ministra da Secretaria Nacional de Políticas para Mulheres, Iriny Lopes (PT), foi classificada como censura por colunistas de imprensa e até por colegas seus na Esplanada dos Ministérios.

Na peça, em três versões, Gisele Bà¼ndchen faz as vezes de uma esposa prestes a dar uma péssima notícia ao marido: estourou o limite do cartão de crédito, bateu o carro ou informa que sua mãe virá morar com eles. à‰ um machismo digno dos anos 1950. Os publicitários da agência Giovanni+DraftFCB devem ter achado o máximo a própria criação. No clima de boçalidade modernosa, não há problema na mulher bonita, mas dependente do marido provedor, invocar seus atributos eróticos para conseguir o que quer.

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, a representante governista assim se manifestou: A propaganda caracteriza como correto a mulher dar uma notícia ruim apenas de lingerie e errado estar vestida normalmente. Essa definição de certo e errado caracteriza um sexismo atrasado e superado!.

A ação da ministra está a quilômetros de distância das ameaças que teriam sido feitas pelo marido de Wanessa Camargo ou pela ação da Bandeirantes, que sem mais tirou Rafinha do ar. Iriny apenas solicitou ao Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) a suspensão da peça publicitária.

O mundo desabou sobre sua cabeça, com insinuações sobre estética feminina e inveja da modelo.

O caso Rafinha Bastos é pedagógico. No Brasil, além das mulheres, qualquer minoria pode ser atacada. Menos uma: a minoria dos endinheirados.

9 Comentários

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  1. e isso ai,o que ele diz e o que todos pensam só que tem medo de falar.
    LUIZ ERNANI DA SILVA =) PARABENS PELAS PALAVRAS

  2. Os caras do CQC são facistas!

    • Nunca vi tanta palhaçada junto, primeiro quem ta ganhando com isso acho que é a tal wanessa camargo que já encontrava-se praticamente no esquecimento, não passando da esposa de um empresário com muita grana e filho de um cara que só canta porcaria e sobrinha de outro que dubla as porcarias e não é exemplo pra ninguém. Segundo lugar todos os fãs do CQC deveriam ter vergonha na cara e deixar de olhar realmente este programa pois os talentos que tem neste programa mereciam estar em uma emissora de verdade, não na Bad que ganha muito dinheiro em cima da fé dos outros, não da pra comparar CQC com pânico, pois mesmo os meninos pondo pés pelas mãos no CQC é necessário um pouco de cérebro pra entender suas piadas coisa que não necessitamos ao ver este outro programa. E a este empresário tão cheio da grana , eu acredito que seus negócios não estejam prosperando tanto assim, ganhou rapidamente notoriedade depois de suas retalhações de macho primitivo ferido. Uma forma de propaganda sem gastar muito, bonito saiu mais barato né senhor Marcus Buaiz, já que esta querida esposa certamente sem cérebro deve lhe custar os olhos da cara e precisa agora de fatos como este pra economizar em comerciais para seu conglomerado de negócios.

  3. luiz ernani vc e um bocal e se fosse a sua filha nos temos que ter limites para todas as coisas ele devia ter pensado antes de falar agora agunte as consequencias eu nao sou um buaiz mais se fosse a minha filha eu ia MATAR ELE

  4. Deixem de hipocrisia! Que barbarismo! Há coisas mais sérias que pedir a cabeça do Rafa Bastos. Se fosse uma presidiária o alvo da piada de mau gosto será que teria mesma repercução?!…Temos, sim que nos preocupar com “mães” que estão jogando a cria recém nascida nas lixieiras ou afogando-as nas latrines. Por que que elas se desfazem de seus frutos de maneira tão abominável?!…Este animal, que se auto proclama “racional” está se tornando tão hediondo, pior que os ditos irracionais e ninguém faz um movimento para estabelecer o que leva uma mãe a praticar este ato de negação de si próprio?!…Será que é por temer o que os humanos podem fazer com a sua cria? Talves o mesmo que lhe foi feito ou piór? É o desamparo, a indiferença que nós proporcionamos a estas criaturas em momentos destes desatinos? Onde estão os “puritanos” de plantão? O CQC não deve se desfazer do Rafael Bastos. Um deslize que amanhã todos já esquecemos. Tem coisa pior que isto. E as ofertas de putas feita pelos canais abertos, durante a programação normal a partir das 22:30, horário em que menores de 16 anos estão acordados?!…Onde estão os “censores” que querem crucificar o humorista do CQC? Larguem de hipocrisia e se manifestem, por uma tomada de posição que busque ir no íntimo destas desumanidades, destes tos tresloucados destas pobres coitadas “poedeiras” de crias que a sociedade faz questão de ignorar.

  5. Que caniblismo! Que barbarismo! Parem de hipocrisia! Tem coisa pior e vcs. não se manifestam. Deixem o rapaz trabalhar! Está voltando a censura?!… Até parece… Parem de frescura. Temos muito mais que nos preocuparmos. Por exemplo: Por que mães estão jogando crianças recém paridas no lixo ou afogando-as nas privadas?!… Explícitamente descartando-as de suas vidas. Qual animal, mesmo os que nós classificamos de irracionias fazem isto? E as ofertas de prostituíção pela TV aberta? Leilão de putas que nossas adolescentes de mais de 14 anos estão assistindo diariamente? Certo! Uma piada de mal gosto. No entanto se falasse que se referia a uma presidiária e sua cria não teria tamanha repercução. O valor do ser humano como ser criado a imagem e semelhança de Deus, tanto pobre ou rica, preta ou branca deve ter o mesmo tratamento. Se vale uma piada de polaco, de negro ou de portugues, de turco tem o mesmo peso, tanto moral ou hilária. O CQC não pode ficar sem o humoist Rafael Basts. Bandeirante, se valorize!

  6. O mais triste é que já tem rede de televisão oferecendo emprego para esse imbecil que pensa que é engraçado.

  7. O camarada paga para fazerem propaganda de sua empresa em um programa televisivo de humor de péssimo gosto, e fica numa boa, desde que as vítimas do humor não façam parte de sua família.

  8. Esse programa já devia ter sido tirado do ar desde que fizeram aquelas palhaçadas com o Requião…

    O caso dos ônibus e as perseguições no senado…