Deputado que denunciou venda de emendas ameaça governo tucano

da Agência Estado

Pivô das acusações de venda de emendas na Assembleia, Roque Barbiere (PTB) não revelou ao Conselho de à‰tica nomes de deputados que estariam exercendo a prática, mas confrontou o governo estadual no documento que enviou ao órgão e que foi lido ontem. Um dia antes, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) cobrara Barbiere publicamente e apelara a seu “dever público”.

“Por que será que o governo se manifesta com tanta veemência se eu não os acusei, ainda, de fazer nada errado”, indagou o deputado petebista no documento. Barbiere também afirmou duvidar que o secretário de Planejamento, Emanuel Fernandes, e a subsecretária de assuntos parlamentares da Casa Civil, Rosemary Correa, neguem, na presença dele, que os tenha alertado sobre o suposto esquema.

O deputado cobrou o governo da falta de resposta ao requerimento que protocolou na Casa Civil em 22 de dezembro de 2010, no qual fazia questionamentos sobre as emendas. “No mínimo o governo deveria pensar: ‘por que será que um deputado que nos apoia com tanta lealdade e por tanto tempo, está perguntando isso’? Por que o governo não me ligou e perguntou? Pode até ser que esqueceram. O que não pode é tentar me fazer passar por mentiroso e dizer que não os alertei.”

Ele ainda disse achar “estranho” que o então chefe da Casa Civil, Luiz Antonio Guimarães Marrey, tenha afirmado “lembrar-se vagamente” do documento. “Ele lembrou-se da data exata, mas do assunto não. Estranho, não acham?”, perguntou.

Camelódromo. Barbiere reclamou da forma como foi interpretado no episódio em que comparou deputados a camelôs, mas confirmou ter feito a analogia.

“O repórter perguntou-me como as emendas eram vendidas. Respondi-lhe: ‘Não sei, pois nunca as vendi’. Ele insistiu e eu disse para que ele imaginasse que, aquele que a for vender, não coloca anúncio em lugar nenhum, e que quem vendia emenda talvez fizesse como camelô, sei lá, maquiasse o produto e outras bobagens do tipo (sic)”.

O líder do PTB, Campos Machado, afirmou que Barbiere lhe pediu que transmitisse à  Casa a informação de que renunciaria ao mandato na terça-feira “se alguma televisão ou jornal provar que ele falou que esta Assembleia é um camelódromo”.

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