Déjà  vu: Funcionários denunciam ‘pressão’ para aplicar multas de trânsito em Londrina

por Vinícius Zanin, via Folha de Londrina

Funcionários e ex-funcionários da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) denunciaram ontem na Câmara uma suposta ”indústria da multa” em Londrina. Os funcionários disseram sofrer pressão da empresa para multar em troca de ”benefícios”. A tribuna do plenário foi utilizada para apresentação de uma lista de supostas irregularidades na CMTU. Um vídeo foi apresentado com uma gravação do presidente da CMTU, André Nadai, na qual ele incentivaria os agentes de trânsito a ”aumentar a receita” do órgão para que pudessem adquirir ”melhorias”, como, por exemplo, plano de saúde.

Um dos agentes de trânsito que ainda trabalha na companhia, Edson Duarte afirmou que os funcionários são coagidos. ”Eu estive com os outros funcionários que foram demitidos e agora a gente fica se perguntando, quem será o próximo? à‰ uma represália clara e evidente. Vamos provar por testemunhas. Pessoas que não vieram aqui hoje (ontem), por medo. Os agentes tem medo de falar”, declarou.

A confusão toda começou quando cinco agentes municipais de fiscalização da CMTU foram demitidos sem justa causa, e sem abertura de processo administrativo. A CMTU não revelou os motivos para os desligamentos. No entanto, os funcionários passaram a afirmar que sofrem represália por terem testemunhado em uma ação ajuizada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) para investigar supostas irregularidades no quadro de promoções de funcionários dentro da empresa.

Na ação, são apontados supostos privilégios a mais de 100 funcionários da companhia. Entre os beneficiados estão pessoas que fazem parte da diretoria da empresa, como a esposa de Nadai, Cristiane Hasegawa. A Justiça do Trabalho acatou a ação do MPT e considerou três versões do Plano de Cargos Carreiras e Salários (PCCS) da CMTU como fraudulentas – as dos anos de 1997, 2004 e 2006.

De acordo com a Justiça, o PCCS atribui poderes à  direção da companhia para relocar e promover funcionários sem critérios comuns, como antiguidade ou merecimento. De acordo com a ação há indícios de que desde 1997 servidores da CMTU vêm sendo promovidos e transferidos para postos diferentes daqueles cargos previstos na época do concurso. Os funcionários que estiveram presentes ontem durante a sessão na Câmara acusaram a empresa de ”blindar” esses funcionários que receberam promoções.

O presidente da companhia, André Nadai, a assessora jurídica, Cristel Rodrigues, e o diretor de trânsito e transporte, Wilson de Jesus, chegaram a ser convocados para compor a tribuna, mas não se manifestaram. O motivo foi o tempo. Foram cencedidos 14 minutos para a defesa, o que foi considerado insuficiente por Nadai. O presidente interino da Mesa Executiva, vereador Rony Alves (PTB), sugeriu que as discussões fossem retomadas na próxima sessão, para que houvesse tempo hábil de argumentação.

Diante da manifestação de outros parlamentares o assunto deve ser retomado apenas daqui a uma semana, na sessão da próxima quinta-feira.

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