Caravana da Anistia vai julgar sete requerimentos em Foz do Iguaçu

via site da Unila

A cidade de Foz do Iguaçu recebe, nesta sexta-feira (14), a 52!ª Caravana da Anistia !“ atividade itinerante da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça que analisa e julga processos de ex-perseguidos políticos. O evento faz parte das comemorações dos dez anos da Comissão de Anistia e os três anos das caravanas que já percorreram quase todo o País.

Em Foz do Iguaçu, a comissão irá julgar sete processos de ex-presos e perseguidos políticos. Os julgamentos acontecem à s 9h30, no plenário da Câmara Municipal, e serão abertos ao público. Participam da cerimônia de abertura o Ministro da Justiça José Eduardo Cardozo e o presidente da Comissão de Anistia e Secretário Nacional de Justiça, Paulo Abrão Pires Junior, que irá conduzir os trabalhos da sessão.

Um dos casos que será julgado, é o do iguaçuense Hélio Urnau. Preso em 1969 ao participar de uma reunião preparatória para o Congresso da União Nacional dos Estudantes, Unau cumpriu pena no Presídio do Ahu, em Curitiba.

Outro caso que será julgado é o de Joel José de Carvalho, que em 1974 foi executado à  sangue frio no km 6 da Estrada do Colono. Joel era tipógrafo e foi militante do Movimento Revolucionário Tiradentes e da Vanguarda Popular Revolucionária, organizações da resistência democrática à  ditadura. Em julho de 1974, Carvalho foi atraído para uma emboscada montada no interior do Parque Nacional do Iguaçu e desde então é considerado desaparecido.

Diversas expedições para localizar o tipógrafo e outros cinco desaparecidos foram realizadas. O caso de Joel de Carvalho e dos demais desaparecidos no Parque Nacional do Iguaçu é relatado no livro do jornalista iguaçuense Aluízio Palmar, Onde foi que vocês enterraram nossos mortos.

Seminário debate Ditaduras no Cone Sul na UNILA

Paralelo aos julgamentos, a Caravana da Anistia também promove o Seminário Repressão e Memória Política no Contexto do Cone Sul, que será realizado no dia 13 (quinta-feira), a partir das 8h30, na UNILA. O seminário quer reunir estudantes, pesquisadores e interessados no tema.

O seminário irá promover uma discussão aprofundada sobre as iniciativas de preservação da memória política dos países do Cone Sul, que tiveram um passado recente de longos governos repressivos. Serão feitas apresentações sobre as principais políticas públicas e as práticas sociais voltadas ao esclarecimento histórico.

Entre os palestrantes confirmados estão Victor Abramovch, do Instituto de Políticas Públicas em Direitos Humanos do Mercosul (Argentina), Patrícia Orellana, da Universidade do Chile, Juan Manoel Otero, Universidade de Rio Negro (Argentina), Aluízio Palmar, presidente do Centro de Direitos Humanos e Memória Popular de Foz do Iguaçu, Maria Cristina de Castro (Uruguai), Martin Almada, descobridor do Arquivo do Terror/Operação Condor, Paraguai, Bernard Burel, Observatório Astronômico de Toulese (França) e Paulo Abraão, Secretário Nacional de Justiça e Presidente da Comissão de Anistia.

Para participar do seminário, é necessário enviar nome completo e RG para o e-mail [email protected], até o meio dia desta terça-feira.

Outros processos a serem julgados em Foz do Iguaçu:

Luiz Carlos Campos, preso diversas vezes em 1970 para averiguações e teve mandado de prisão expedido em 1971.

Diva Ribeiro Lima, ex-funcionária da ACARPA. Foi presa no local de trabalho em 1971.

Francisco Timbó de Souza, estudante fichado no DOPS, acusado de participação ativa no movimento estudantil e nas greves sindicais.

Helio Urnau, estudante preso em 1968, foi posto em liberdade em 1970. Foi condenado a quatro anos de prisão.

Jocimar Souza Carvalho, filho de Joel José de Carvalho, desaparecido político desde 1974. Foi para o exílio com nove meses de idade.

Joel José de Carvalho, preso em 1969 e banido do país em 1971, em troca do Embaixador da Suíça. Está desaparecido desde 1974.

Dolatina Nunes Monteiro foi presa em 1970 junto com outros membros da VPR. Exilou-se na Argentina em 1973.

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