Dentistas votam pela continuidade da greve; Prefeitura vai à  Justiça contra paralisação

via Bem Paraná

Em assembleia nesta quinta-feira (22), os cirurgiões-dentistas da Prefeitura de Curitiba decidiram pela continuidade da greve. Amanhã eles se concentram em frente ao edifício Laucas, sede da secretaria de saúde, a partir das 7h30. O objetivo é tentar uma reunião com a secretária Eliane Chomatas, já que não foram recebidos pelo prefeito Luciano Ducci. Segundo informações da assessoria jurídica do Sismuc, a prefeitura entrou com um pedido de liminar tratando da greve. Como o pedido ainda não foi julgado, até o momento, o sindicato ainda não conhece o conteúdo do documento.

Com gritos de “dentista na rua, prefeito a culpa é sua”, cirurgiões-dentistas que prestam atendimento à  saúde municipal, chegaram à s 11h30 em frente à  Prefeitura de Curitiba. Os manifestantes estão concentrados até serem recebidos pelo prefeito Luciano Ducci ou algum representante da administração pública. Guardas municipais e segurança reforçada isolaram a entrada principal da Prefeitura Municipal de Curitiba, já na manhã desta quinta-feira (22), antes mesmo da chegada dos manifestantes. “Nós tiramos as faixas de isolamento” disse a representante do Sindicato dos Servidores Municipais de Curitiba (Sismuc), Irene Rodrigues.

“Cerca de 70% dos dentistas paralisaram sua atividades. Somente os serviços de emergência estão em funcionamento”, informou. “Estamos aqui em defesa da valorização da classe, pois é inadmissível um prefeito não negociar com o funcionalismo. Aqui está difícil até de negociar um espaço de sombra para os manifestantes, que foi negado pela Guarda Municipal”, denunciou a sindicalista.

Cerca de 300 profissionais fizeram um ato na Praça Santos Andrade no início desta manhã (22) e seguiram em passeata pelo centro da capital até à  prefeitura.

Insatisfação – O movimento é resultado da insatisfação dos profissionais que tiveram suas tabelas salariais desvinculadas das dos médicos da Prefeitura !” uma das únicas categorias contemplados com benefícios pelo prefeito Luciano Ducci.

Eles também reclamam dos baixos salários e das condições de trabalho. Durante as últimas semanas foram feitas várias tentativas de negociação com a Prefeitura para tentar evitar a greve, mas não houve avanços.

A oferta da Prefeitura ficou estacionada em 10% de reajuste em janeiro de 2012 e 10% em janeiro de 2013, com ajustes de 80% para 60% na gratificação da Estratégia de Saúde da Família (ESF). Como havia perda de 20% na gratificação do ESF, os cirurgiões-dentistas entenderam que a proposta de reajuste escalonada para 2012 e 2013 ficava praticamente anulada.

O sindicato apresentou três propostas para organizar os trabalhos durante a paralisação. Entre eles a garantia de um dentista a cada três unidades de saúde ou um contingente mínimo de 30% do segmento atuando em toda a cidade. A intenção é manter os serviços de urgência e emergência à  população. Sem acordo, não está garantida a manutenção dos serviços odontológicos nas unidades da Prefeitura, com exceção daqueles que serão realizados pelas chefias.
Outra orientação do sindicato é para que os profissionais técnicos da odonto se recusem a realizar tarefas que não sejam das suas atribuições legais. A preocupação se deve ao fato de que as chefas podem forçar estes profissionais a substituir o trabalho dos dentistas. Caso haja alguma pressão neste sentido, a denúncia deverá ser registrada junto ao sindicato.

A justificativa da Prefeitura é de que o salário pago aos dentistas na Capital estaria dentro da média, além de que eles possuem planode cargos e carreira que poucas categorias possuem. Mas a insatisfação da categoria veio com o pacote de medidas anunciado por Ducci em maio, que beneficiava apenas médicos, engenheiros, fiscais de tributos e procuradores. Como os dentistas e médicos sempre estiveram no mesmo patamar na saúde, a desvinculação foi vista como um desrespeito à  categoria.

Curitiba tem 646 cirurgiões-dentistas no seu quadro da saúde. Além do Sismuc, a greve também conta com o apoio do Conselho Regional de Odontologia (CRO), da Associação Brasileira de Odontologia (ABO) e do Sindicato dos Odontólogos do Paraná.

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