Congresso do PT reabre debate sobre marco regulatório da mídia

por André Barrocal, via Carta Maior

A imprensa foi uma das estrelas da abertura do IV Congresso Nacional do PT, na noite desta sexta-feira (02/09), em Brasília. Esteve presente, na condição de ré, nos três discursos mais importantes: da presidenta Dilma Rousseff, do antecessor dela, Luiz Inácio Lula da Silva, e do presidente do PT, Rui Falcão.

O peso político dos autores das críticas ajuda a entender porque a mídia também será protagonista no documento final que os petistas vão aprovar domingo. O texto vai cobrar um marco regulatório para emissoras de rádio e TV, que vem sendo discutido dentro do governo desde o ano passado.

A critica presidencial explorou o que Dilma considera ser uma tentativa da imprensa de afastá-la do padrinho, Lula. Para ela, a mídia estaria tentando, de forma solerte, envergonhada, insinuada!, separar os dois ao disseminar a tese de que que Dilma precisaria administrar uma herança não bendita!.

Esse tipo de raciocínio surgiu, por exemplo, na abordagem sobre a inflação no início do ano, que seria resultado de gastança! de Lula. E, mais recentemente, no noticiário sobre denúncias de corrupção envolvendo os agora ex-ministros Antonio Palocci, Alfredo Nascimento e Wagner Rossi.

Dilma discorda do conceito de legado”, já que fez parte do governo Lula e, portanto, tem responsabilidade pelo que vem de antes. E não aceita que o que administra seja algo negativo. A nossa herança é daqueles que transformam o Brasil. Nós mudamos a lógica de crescimento do país!, disse.

Antes dela, tinha sido a vez de o próprio Lula atacar a imprensa, como fez tantas vezes, especialmente no segundo mandato. Disse que, nos últimos dias, um jornal noticiou que ele teria sido consultado e dado aval a uma moção em favor do ex-ministro José Dirceu, cujo quarto que ocupa em um hotel de Brasília sofreu tentativa de invasão por um repórter da revista Veja.

O jornal mentiu. Ninguém me perguntou nada. Mas a nota tem o meu aval!, declarou Lula. Afirmou ainda que não é verdade a notícia de que ele seria a favor de acabar com prévias para definir candidatos no PT. Não é possível eles mentirem e a gente ter de se explicar.”

A moção a favor de Dirceu e de repúdio à  revista foi apresentada no primeiro discurso da noite, feito pelo presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique da Silva Santos. Ele abriu a fala propondo moção contra o crime cometido por uma famosa revista!.

Depois de Lula e Dilma, Dirceu foi o petista mais aplaudido quando teve o nome anunciado para compor o palco de abertura do Congresso.

Ao discursar, o presidente do PT, Rui Falcão, fez uma crítica mais genérica aos meios de comunicação. Condenou o que enxerga como monopólio midiático!, partidarização da mídia! e jornalismo marrom que à s vezes flerta com a criminalidade!. O PT luta para votar um marco regulatório!, afirmou.

O documento que será colocado em discussão no Congresso petista sábado e domingo diz ser urgente provocar a ampliação do debate sobre esse marco regulatório!. O marco regularia emissoras de rádio e TV, que são concessões públicas.

O texto, ao qual Carta Maior teve acesso, afirma que o marco regulatório deve ter nove princípios, entre eles, liberdade de expressão, pluralidade de fontes de informação, apoio à s redes públicas e comunitárias de comunicação e participação social nas políticas de comunicação.

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