Artigo de Milton Alves: “A largada de Fruet”

por Milton Alves*

Nas escadarias da Universidade Federal do Paraná, na Praça Santos Andrade, Gustavo Fruet anunciou a sua filiação ao Partido Democrático Trabalhista (PDT), comandado no estado pelo ex-senador Osmar Dias. Foi um gesto inovador, que mobilizou centenas de lideranças políticas, jornalistas e populares.

A filiação de Fruet ao PDT era esperada, um movimento construído pacientemente ao longo de meses, cada momento foi medido, o que vem caracterizando o estilo de Fruet: Sem bravatas, sem arroubos e com habilidade ele vai tecendo o seu caminho.

Hoje na sua fala o pré-candidato pedetista foi no ponto: Fez a aposta no discurso renovador, afinal o consórcio político-econômico que comanda a cidade há mais de vinte anos demonstra sinais de fatiga. Além disso, apontou a ligação perigosa da dupla Beto/Ducci com Derosso, presidente da Câmara Municipal, alvo de uma CPI por conta de licitações fraudulentas e contratos fantasmas, que resultaram num rombo R$ 30 milhões. E também anunciou a sua futura agenda: conversar (e muito) para costurar uma forte aliança política, uma obsessão a partir de agora !“ conforme declarou.

A decisão de Fruet moveu uma peça no tabuleiro da disputa eleitoral de Curitiba, sinalizando claramente para um campo político e, ao mesmo tempo, se apresentou para fazer a disputa de ideias e projetos por um novo modelo de gestão para a cidade. Fruet tem o que falar, conhece a cidade e disputa o imaginário do curitibano com inventividade e consistência.

Com a largada de Fruet, o cenário tende a ganhar maior nitidez. Ducci deve apressar as suas definições, principalmente a questão do candidato à  vice, motivo de pesado conflito no bloco situacionista. Ratinho Jr (PSC), bem situado nas pesquisas, vai testar o seu alcance e poder de atração. O PT, ator fundamental no processo, também avalia a melhor estratégia a seguir. O PMDB, fraturado, lançou o ex-deputado Rafael Grecca, mas setores do partido flertam com Fruet e também com Ducci. Há ainda o PV e o PPS sem maiores definições até o momento. No caso do PV, é possível uma composição com Fruet. Já o PPS vive um momento de fricção na aliança situacionista.
Muita água vai rolar ainda no moinho das eleições do próximo ano, mas a verdade é que a movimentação de Fruet mexeu em todo tabuleiro político de Curitiba. Enfim, foi dada a largada.

*Milton Alves é membro do Comitê Central do PCdoB e da direção estadual do Paraná. Acompanhe o blog: www.miltonalves.com.

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