Advogados de Derosso protocolam defesa para evitar perda de mandato

Do G1 Paraná

João Cláudio Derosso. Foto: Denis Ferreira Neto.

Os advogados do presidente da Câmara Municipal de Curitiba, João Cláudio Derosso (PSDB), protocolaram na tarde desta quarta-feira (21) a defesa para evitar que o vereador perca o mandado por 90 dias. Derosso é investigado pelo Conselho de à‰tica da Casa e por uma Comissão Especial de Inquérito (popularmente conhecida como CPI do Derosso) por supostas irregularidades cometidas na contratação de empresas que prestaram serviços de publicidade para o legislativo municipal.

Em entrevista ao G1, o advogado Figueiredo Bastos confirmou a entrega da defesa e afirmou que não iria informar qual foi a linha adotada para tentar manter o mandato de Derosso. O que nós estamos alegando é de interesse exclusivo do cliente!, declarou.

Pesa sobre Derosso denúncias de que ele teria contratado a empresa da esposa, a jornalista Cláudia Queiroz, para prestar serviços de publicidade para a Câmara. A empresa teria concorrido e vencido a licitação no mesmo período em que Queiroz era funcionária, com cargo comissionado, na Casa. Cláudia Queiroz foi convidada pelo Conselho de à‰tica para prestar esclarecimentos, mas não compareceu.

Há ainda a suspeita de pagamento de aditivos nas licitações. Segundo o Tribunal de Contas (TC) do Paraná, a verba destinada para gastos com publicidade passou de R$ 5,2 milhões para mais de R$ 30,1 milhões. Ao todo, o TC identificou 18 irregularidades nos contratos estabelecidos pela Câmara com duas agências de publicidade.

Diante das denúncias e após investigação o relator do Conselho de à‰tica, vereador Jorge Yamawaki (PSDB), votou pela suspensão do mandato do presidente Derosso por 90 dias. Esta é a punição mais grave, prevista pelo regimento, antes da cassação.

Uma vez com a defesa em mãos, a Comissão de Inquérito do Conselho de à‰tica, que formada pelos vereadores Dirceu Moreira (PSL), Noemia Rocha (PMDB) e Pastor Valdemir Soares (PRB), vai decidir se arquiva a investigação ou se mantém o voto do relator e o encaminha para votação em plenário.

O plenário é soberano!, afirmou o presidente do Conselho à‰tica, vereador Francisco Garcez (PSDB). Caso o plenário aprove a suspensão do mandado de Derosso, quem assume a presidência da Casa é Garcez, uma vez que ele é o vice-presidente.

Se não for arquivado, o voto do relator tramita no plenário como um projeto de lei. Antes de ir para votação, passa pela Procuradoria Jurídica e pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A votação será em turno único e fechada. Não existe prazo para que a Comissão de Inquérito envie o voto para o plenário. A expectativa, de acordo com Garcez, é de que isso ocorra em meados de outubro.

Na avaliação do vereador, é difícil especular qual será o posicionamento da maioria dos parlamentares, mas ele acredita que a tendência é que o voto do relator seja mantido.

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