Lula lança instituto no dia 15

Da Folha.com

Depois de estrear na carreira de palestrante, o ex-presidente Lula terá, enfim, um instituto para chamar de seu.

Ele anunciará no dia 15 a criação do Instituto Lula, sua nova plataforma de ação política. A entidade substituirá o Instituto Cidadania, que o petista fundou após a derrota de 1989 e reativou este ano.

Lula convidou cerca de 50 aliados para comunicar a mudança, num hotel em São Paulo. A lista inclui o presidente do PT, Rui Falcão, o presidente da CUT, Artur Henrique, e intelectuais como a cientista política Maria Victoria Benevides.

Paulo Okamotto, ex-presidente do Sebrae, deve ser confirmado no comando do novo instituto. Ele já tem procurado empresários para financiar a entidade, que trocará a casa no Ipiranga (zona sul de SP) por um imóvel maior na capital paulista.

O assessor de Lula faz mistério sobre os nomes dos doadores e os rumores de que o ex-presidente teria ordenado a captação de R$ 10 milhões até o fim do ano.

“Não fechamos o orçamento ainda”, diz. “Mas teremos que viabilizar recursos para contratar gente e desenvolver um memorial.”

Tesoureiro da campanha presidencial de Dilma Rousseff e atual presidente do Instituto Cidadania, o deputado José de Filippi (PT-SP) também atuará na arrecadação.

Lula tem prometido não recorrer a dinheiro público para financiar o projeto.

Sua equipe conta ainda com os ex-ministros Luiz Dulci (Secretaria-Geral da Presidência) e Paulo Vannuchi (Direitos Humanos).

O Instituto Lula nasce com duas frentes: a criação de um memorial sobre o governo do petista (2003-2010) e a formulação de políticas para a àfrica e a América Latina.

O livro com a história oficial da gestão lulista, coordenado por Fernando Moraes, receberá o selo da entidade.

O ex-presidente negocia parcerias com organizações multilaterais como o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e ONGs de ação humanitária como a One, do popstar Bono Vox.

Um fórum empresarial realizado semana passada em Bogotá, na Colômbia, foi uma espécie de teste para sua atuação internacional.

O petista fez uma mudança em seu plano original, que incluía a reforma política entre as bandeiras do instituto. Decidiu atuar nos temas domésticos apenas como presidente de honra do PT.

Para ele, isso evitará constrangimento a possíveis doadores que não queiram se vincular a disputas internas.

A criação do novo instituto deve ser formalizada até o fim do mês, com a apresentação de site e logomarca.

 

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