Em sessão secreta!, Derosso diz que sabia que mulher era funcionária da Câmara

por Fernanda Trisotto, via Gazeta do Povo

O presidente da Câmara Municipal de Curitiba, João Claudio Derosso (PSDB), afirmou nesta terça-feira (23) durante a sessão secreta! do Conselho de à‰tica da casa, sobre as irregularidades em sua gestão, que sabia que Claudia Queiroz Guedes, sua mulher, era funcionária comissionada na Câmara. A empresa de Claudia foi contratada para prestar serviços de comunicação para o órgão. Apesar de reconhecer que sabia que Claudia tinha um vínculo empregatício com a Câmara no momento da assinatura do contrato, Derosso esclareceu que os dois não tinham qualquer envolvimento amoroso na época.

Segundo a vereadora Professora Josete (PT), suplente do conselho e que só particiou da sessão devido a uma liminar da justiça, Derosso ainda disse que, em seu entendimento, não havia cometido nenhuma irregularidade. Ele justifica que a contratação da empresa da futura esposa na época em que ela era funcionária da casa não contraria a lei orgânica do município, que é de 1991. Josete argumenta que a contratação não obedece a lei de licitações, que é de 1993, e estaria irregular, por consequência.

A sessão foi positiva. Alguns aspectos que não haviam sido respondidos na reunião anterior foram esclarecidos!, diz Josete, que, mesmo sem concordar com alguns argumentos, respeita a explicação fornecida por Derosso. A vereadora, no entanto, questionou a falta de clareza em algumas respostas do presidente da casa.

Segundo Josete, Derosso não soube responder porque os contratos firmados prevêem duração de 24 meses enquanto o extrato do edital da licitação previa duração de 12 meses. Ele disse que não pode ter controle de tudo e que isso dependia de outros setores. Mas nenhum gestor foi nomeado para acompanhar os processos!, argumenta Josete.

Derosso teria se comprometido a deixar os vereadores interessados consultarem, in loco, os contratos firmados pela Câmara com as empresas de publicidade. Na segunda-feira (29), os vereadores poderão ter acesso aos documentos.

Para Josete, a sessão, que durou mais de duas horas, deveria ter sido aberta para todos os outros vereadores.

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