No Paraná, acusado de matar sem-terra vai a júri após 12 anos

Folha.com

Doze anos após o crime, começa nesta quarta-feira (27) o julgamento de Jair Fermino Borracha, acusado de matar o sem-terra Eduardo Anghinoni. O agricultor foi alvejado num assentamento no noroeste do Paraná, em 1999.

Segundo os sem-terra, Anghinoni foi morto no lugar do irmão, Celso Anghinoni, um dos principais líderes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) no Estado.

Na época do crime, o réu era contratado de uma empresa de segurança que, segundo o MST, trabalhava para ruralistas da região.

Uma perícia indicou que a bala que atingiu Anghinoni partiu da arma do acusado. Borracha nega participação no crime.

O inquérito policial, por sua vez, foi inconclusivo sobre quem foi o mandante do assassinato.

“Infelizmente, até hoje, absolutamente ninguém foi responsabilizado pelos crimes praticados por milícias contra sem-terra no Paraná”, diz o advogado Fernando Prioste, que atua como assistente de acusação no processo.

Das últimas oito mortes de sem-terra no Estado, segundo levantamento da ONG Terra de Direitos, cinco processos ainda aguardam julgamento e, em outros três, os acusados foram absolvidos.

“O que está acontecendo no Pará hoje é o que aconteceu nessa região do Paraná há 15 anos”, afirma Prioste.

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