Perfil
Naquela noite gelada de agosto não conseguiamos dormir por conta da grande euforia que tomava de todos nós. É fato que as vésperas dos dias “D” sempre nos impõem um clima extra de excitação. O dia seguinte prometia ser agitadíssimo. E foi. Às 5h30 da manhã já estávamos a postos em frente ao prédio da Universidade Federal do Paraná (UFPR), na Praça Santos Andrade, aguardando a chegada dos “cara-pintadas” para a primeira manifestação pela ética na política e contra a corrupção. Curitiba e nós, as lideranças do movimento estudantil, nos surpreendemos com a presença de mais 100 mil pessoas naquele local, que, dali em diante, se transformaria em ponto de encontro das reivindicações sociais e democráticas no Paraná. Era início dos anos de 1990, que influenciaram decisivamente a maneira como a nossa geração passaria a enxergar o mundo. Mais do que palavras de ordem e passeata, aquele primeiro protesto pelo impeachment ajudou o país a dar o pontapé inicial na sua modernização política e, ao mesmo tempo, naquela conjuntura “collorida”, afastou o canto da sereia que tentava seduzir importantes setores para a proposta de redução do papel do Estado na sociedade.
Esmael Morais é jornalista, tem 38 anos. Nasceu em Jardim Alegre (PR), no Vale do Ivaí, região em que viveu até os 17 anos, antes de vir estudar, ser ativista político e residir definitivamente em Curitiba.
Em 2000, quando realizava assessoria de imprensa para a presidência do Conselho de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea-PR), paralelamente, ele coordenou a comunicação da vitoriosa campanha do Fórum Popular Contra a Venda da Copel. De 2003 a 2005 passou pelo Governo do Estado do Paraná e hoje é sócio da Editora Tática Comunicação Integrada; também possui trabalhos e projetos em estratégias de comunicação e consultorias voltados para entidades da sociedade civil, executivos de empresas e lideranças políticas.


