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A carta de Gustavo Fruet pedindo desfiliação do PSDB

13 jul 2011 - 11:55 16 Comentários

* A missiva foi endereçada ao governador Beto Richa

Fruet concedeu coletiva à imprensa.

Senhor Presidente do PSDB/PR

Comunico a Vossa Excelência e ao PSDB o meu desligamento do partido. A decisão, tomada com tristeza após meses de conversações internas infrutíferas e muita reflexão, foi movida por sentimento de profunda incompreensão com o silêncio e a falta de clareza da direção do partido na capital, especialmente quanto à participação na sucessão municipal de Curitiba nas eleições de 2012.

É de conhecimento público a disposição já manifestada há anos por mim de disputar a eleição municipal e ter a honra de ser prefeito da minha cidade, inclusive em 2004, quando o apoiei para a Prefeitura da capital, onde nasci e construí minha carreira política – como vereador, deputado federal por três mandatos e, por fim, como candidato a senador, obtendo com muito orgulho dos curitibanos sempre as melhores votações. A enorme honra de ser prefeito de Curitiba se potencializaria diante da lembrança de meu pai, Maurício Fruet, que também deveu aos curitibanos sucessivas eleições parlamentares.

Na sequência das eleições de 2010, que o levaram ao governo estadual, entendi ter chegado a hora certa para disputar a eleição municipal. Fui estimulado a trabalhar pela construção dessa ideia principalmente ao participar, ao seu lado, da chapa majoritária, como candidato a senador. As urnas não me deram a vitória, mas colocaram-me outra vez na posição legítima de buscar a prefeitura: lutando contra forças políticas poderosas, fui prestigiado pelo voto de 646 mil curitibanos, assegurando o primeiro lugar na capital.

É bom lembrar que aceitei a candidatura ao Senado convocado no prazo final da convenção partidária, mesmo depois de ter essa postulação recusada pelo PSDB, convite que só foi feito quando outra candidatura, de outro partido, não vingou – e abrindo mão da candidatura à reeleição de deputado federal. Tudo em nome da unidade e de um projeto que, vitorioso no plano estadual – dando ao PSDB do Paraná um papel de relevo no cenário do País –, teria como consequência natural o desdobramento na esfera municipal, com vistas ao seu fortalecimento ainda maior.

Não exigi cargos nem estrutura. Pedi e recebi seu compromisso e de lideranças partidárias para assumir o comando do partido na capital, como um reinício após 12 anos no Congresso Nacional – e como instrumento para debater o futuro da cidade e o projeto do PSDB para Curitiba. Entretanto, estabeleceu-se um constrangedor silêncio sobre o tema e multiplicaram-se evidências – públicas e em particular – de que o partido, por decisão sua, preferia outro caminho, fora do PSDB, que abdicou de debater um projeto para a cidade e de uma candidatura própria. Não a candidatura de uma legenda secundária, de um partido satélite, mas de um partido importante na política nacional – o PSDB, pelo qual sempre trabalhei muito. É o natural e salutar contraponto na democracia. Afinal, para que oposição?

Tenho sido convocado por grandes correntes de opinião popular, independentemente de preferências partidárias, a ser instrumento do crescente desejo de mudança e da consolidação do projeto inovador de Curitiba. A omissão, a passividade e o conformismo são tão ou mais graves na política do que eventual crítica por vontade pessoal. Tal vontade só admite críticas e carece de legitimidade quando impulsionada por interesses escusos. A vontade que me move foi construída sobre a certeza de que posso contribuir – e em especial sobre o apoio de centenas de milhares de curitibanos que ao longo dos anos vêm me confiando seus votos.

Para auxiliar e influenciar na vida pública é preciso atitude, ousadia. Assumir riscos! E, por isso, esgotadas as possibilidades de manter-me no PSDB, vou às ruas para debater e construir projetos e planos. Vou ao encontro do futuro! Estarei também atendendo à voz das ruas que, inegavelmente, clama pela renovação na administração da cidade. Fechou-se um ciclo na política estadual. E esta tendência irá refletir-se nas eleições municipais. São claros os motivos pelos quais cresce esse desejo de mudança. Há evidência de que é necessário um novo ciclo na gestão da capital, superado um modelo de desenvolvimento urbano adotado para Curitiba já há quase meio século. Uma cidade inovadora, criativa, pioneira. Na vanguarda!

Sei que o povo de Curitiba entenderá meu gesto. Saio do PSDB sem mágoas. Deixo no partido amigos que me honraram com apoio, prestígio e ensinamentos. Cito o ex-ministro Euclides Scalco; os líderes João Almeida, Alberto Goldman e José Aníbal; os presidentes Tasso Jereissati e Sérgio Guerra; os governadores José Serra, Aécio Neves e Geraldo Alckmin; o presidente do Instituto Teotônio Vilela Luiz Paulo Vellozo Lucas; os conterrâneos Álvaro Dias, Luiz Carlos Hauly, Alfredo Kaefer e Flávio Arns; a equipe do PSDB na Câmara dos Deputados; lideranças e militantes de todo o País sempre presentes nos momentos mais desafiadores da política nacional, em especial, na eleição para a Presidência da Câmara em 2007 e nas CPI´s. Registro homenagem aos fundadores do ideal da social-democracia que, pelas mãos do Presidente Fernando Henrique Cardoso e de D. Ruth Cardoso, garantiram a estabilidade política e econômica do País e lhe abriram as portas para o desenvolvimento sustentado, que caminha para a consolidação.

Saio com a consciência tranquila de quem serviu com dignidade e fidelidade à consciência, ao País e ao PSDB. Como diz Fernando Pessoa: “Cumpri contra o destino o meu dever. Inutilmente? Não, porque o cumpri.”

Infelizmente, não há cultura e tradição partidária que tornem a política – sem ingenuidade, uma atividade brutalizada e com muita dissimulação – um espaço de convergência e previsibilidade. Por isso que a cada eleição prevalece o pragmatismo e interesses locais. Por vezes, escusos e nem sempre transparentes! A estes não me submeto, ainda que seja levado pelas circunstâncias a trilhar um novo caminho, que sei que não será fácil. Agradeço a todos que ajudaram nesta trajetória. Sigo um novo caminho. Vamos em frente! Nada de parar!

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16 Comentários para " A carta de Gustavo Fruet pedindo desfiliação do PSDB "

  1. CURITIBANO disse:

    Deu demonstração de ser realmente muito mais do que um simples politico, é um ESTADISTA. Citado do Beto é um ignorante perto da capacidade do Gustavo.

  2. CURITIBANO disse:

    Deu demonstração de ser realmente muito mais do que um simples politico, é um ESTADISTA. Coitado do Beto é um ignorante perto da capacidade do Gustavo.

  3. Mesael Caetano dos Santos disse:

    olitica se faz com ética , respeito a coisa pública e moralidade. Acima de tudo lealdade aos compromissos firmados nas entranhas partidarias. Precisamos de pessoas com esse perfil para nosso estado, siga seu caminho Gustavo, que as pessoas de bem desta cidade estarão com voce, eis que este estado necessita de mundança urgente.
    Mesael Caetano dos Santos
    advogado em Curitiba

  4. Regina Cruz disse:

    O PT pela base também não quer ele nem no segundo turno.

  5. Bruno disse:

    Fruet, estamos com vc.
    Curitiba merece vc.

  6. curioso disse:

    “Gustavo Fruet o prefeito que Curitiba precisa e os curitibanos merecemos”

  7. lontrax disse:

    Demorou Gustavo.Devia ter largado estes emplumados sacanas faz tempo.Vamos derrotá-los ano que vem,sem apelacão.

  8. Matahari disse:

    Vamos em frente, futuro Prefeito de Curitiba. Sua trajetória no PSDB, foi distinguida pela coerência e atitudes éticas perfeitamente corretas. Infelizmente por muitas vezes no nosso mundo político, o que impera e frutifica é o puxa-saquismo e os interesses familiares dos que estão no poder. Só que, desta vez, eles trocaram a pepita de ouro pelo cascalho sem valor. O povo esta a seu lado. Conte comigo.

  9. Didier Riva disse:

    O Partido Verde é o melhor caminho para vc! Curitiba é 43!

  10. Rock disse:

    Lendo essa carta a gente so tem uma certeza esse Betinho R icha so pensa nele, depois de tudo o que Fruet fez para ajuda-lo a se eleger so recebe como forma de agradecimento um pé no traseiro

  11. Anotações sobre a carta de Gustavo Fruet: o que nunca foi sólido pode também desmanchar-se no ar

    Ao ler a carta na qual Gustavo Fruet anunciou sua saída do PSDB eu não consegui conter o chororô, amigos internautas ou, como diria Maurício Alberto: teardrops rolling down on my face, feelings, uou, uou, uou feelings, again in my life, etc.

    Pensei com meus botões, zíperes e velcros, esse pobre rapaz foi tão sacaneado pelo governador engomadinho, ó, quanto sofrimento, ó quanto desconforto psicológico! Teardrops, etc.

    A carta é uma espécie de tratado sobre coisa alguma e aposto que foi obrada por algum redator da Ana Maria Braga, com pitacos do Luciano Hulk. Um pronunciamento espantosa e rigorosamente medíocre. Teardrops, etc.

    Depois de meses abanando o rabão para o grupo direitoso que governa Curitiba já há quase meio século, amuadinho, Gustavinho descobre que os donos da bola não o querem mais no jogo e, só agora, choramingando nos cantos do vestiário, fala que foi convocado “por grandes correntes de opinião popular” e que será “instrumento do crescente desejo de mudança”, e que ao sair do PSDB está “atendendo à voz das ruas que, inegavelmente, clama pela renovação na administração da cidade”. Quer dizer que se o aceitassem como candidato, o beto engomadinho seria o máximo, Gustavinho? Conta outra. Teardrops, etc.

    Bem, petista desimportante que sou, posto aqui em Antonina em relativo sossego, e comendo minhas goiabinhas regulamentares, espero que as notas que vejo aqui e ali na imprensa, que dão conta que o nosso Grupo de Londrina, de poder hoje incontrastável no PT/PR, bem, espero que não inventem mais um palanque abarrotado de porcarias para a militância, ou o que resta dela, ficar agitando bandeiras em comícios. Teardrops, etc.

    Sendo bem mais claro: depois dos sinistros Irmãos Simões na campanha de Vanhoni e de Osmar Dias, não me venham com mais uma tranqueira dessas. Quase aos sessenta, meus caros, tenho o estômago cada vez mais sensível, se me entendem. Coisas da idade. Teardrops, etc.

    Até porque, prezados, temos quadros muito qualificados para disputar e ganhar a prefeitura de Curitiba. Ou o Rosinha e o Tadeu Veneri não contam?

    Ao fundo, quase à média luz, Gustavinho, em prantos, ouve Maurício Alberto: uou, uou, uou feelings, teardrops, etc.

    PAULO ROBERTO “FEELINGS” CEQUINEL
    PRCEQUINEL.BLOGSPOT.COM
    THE SUN OF A BITCH ORNITORRINCO CORPORATION

    • petroleiro informado disse:

      ESCREVER UMA ASNEIRA DESSAS, SÓ PODERIA SER UM EX SINDICALISTA FRACASSADO DE APARÊNCIA REPUGNANTE QUE FOI PRA ANTONINA COMER GOIABA QUE INEGAVELMENTE É O QUE LHE RESTA .

      • No meu velório as coisas serão assim. Eu ali no caixão e os cinco ou seis presentes poderão dizer: eis Paulo Roberto Cequinel, sujeito fracassado e de aparência repugnante, que só falava asneiras. No meu túmulo haverá uma lápide modesta, com meu nome estampado.

        Já no seu velório as pessoas perguntarão quem é o morto que fede sem nome no meio do salão, e o guarda dirá ninguém sabe, é apenas mais um anônimo que se esconde nas sombras, um típico valentão virtual que não se garante. Você será sepultado na ala dos indigentes mentais. Morto nº 1342008, ou coisa parecida.
        Búúúúúú!
        Paulo Roberto Repugnante Cequinel

  12. Ops, na verdade, THE SON OF A BITCH ORNITORRINCO. Ao fundo, uou, uou, uou feelings, etc.

  13. Vanessa de Souza Fontana disse:

    É fato, após a pressão da opinião pública das últimas semanas, Fruet tomou uma decisão crucial. Agora, vejamos a atuação dos articuladores. Tudo indica que Wilson Picler, como articulador político do PDT, fará com que o último vôo do ex-tucano seja em solo pedetista, ou seja, estável e profícuo, muito diferente do arenoso e perigoso solo peemedebista.

  14. Tânia Maria Martins disse:

    Muito bom mesmo, Paulo Roberto Cequinel, só faltava uma dessas agora! Temos nomes no PT, não precisamos enxugar lágrimas de crocodilo de ninguém!

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